O mundo não  acabou no dia 21 de dezembro e deve permanecer como sempre foi desde o dilúvio, em que só Noé, sua pequena família e seus bichos se salvaram, é possível que o ano seja melhor, especialmente por ser um ano com características muito especiais. Ser o 13 é animador, pois dizem que é o número da sorte, apesar de muitos que o aguardavam cheios de esperanças sucumbiram sob o peso das sentenças que os excluíram por muitos anos do poder.

Zagalo, o campeão, é um dos mais importantes cultivadores do 13 e sempre colocou o número em destaque na sua vida. Outro que, apesar de passar a vida no  65, número do PC do B, cuja soma, por ser 11, o aproximou do 13 do PT, é o governador do Distrito Federal. É dele a animadora expectativa de que no ano que se inicia, tudo será melhor como a marcha carnavalesca que diz que “este ano não será como aquele que passou”; ou seja, eu não governei e você não foi governado.

Esta é a realidade de Brasília e também do Brasil. Com o 45 do PSDB, controlando a oposição para garantir a estabilidade política do país, admite-se que os companheiros fiquem sossegados em cabides e esqueçam as violentas manifestações contra tudo e contra todos até a ascensão ao poder. A calma dos políticos do 45 é o retrato da tranquilidade daqueles que esperam como os sábios mineiros, que deixam o tempo passar, pitando um cigarrinho de palha até chegar a hora de voltar ao comando.

No final do ano, surgiu o novo caminho; o 40 do PSB  que nas eleições cresceu tanto que já desponta como forte concorrente à Presidência da República, com o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Campos é neto de um dos símbolos da resistência à ditadura e é adorado por seu povo.  A força de Campos se estende, aqui no Distrito Federal, ao senador Rodrigo Rollemberg que se afasta de Agnelo em busca do seu próprio espaço. Nessa disputa, Rollemberg  perde aliados que não querem deixar o cabide, mas consolida sua posição de político candango, conhecedor das agruras da vida dos brasilienses.

Não se pode deixar de lado o 12, número do PDT de Leonel Brizola. No partido, dois parlamentares se destacam: senador Cristovam Buarque, ex-governador que sofreu na mão dos companheiros tanto quanto sofreo comunista Agnelo; e o deputado campeão de votos, Reguffe, que caminha só em busca do mandato de senador. Todos estarão contra Agnelo, que poderá, afinal, ser expurgado do PT como o foi o prefeito do Recife.

Em meio a tantas opções, o partido mais forte é o 15, PMDB. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro possui em seus quadros os mais experientes políticos do país e domina com maestria os bastidores do poder.

Em Brasília, o vice-governador e presidente do PMDB, Tadeu Filippelli, é o sustentáculo do acuado  Agnelo. Sem a aliança formada nas eleições ,e consolidada no governo, o Distrito Federal continuaria à beira do abismo. Tadeu segura a corda do governador sem saber se ela é um cabo de força ou da forca. O deputado Pitiman,  que ambiciona o posto majoritário, vive na dúvida se deve trocar de partido.

No plano nacional, é pública e notória a influência do vice-presidente Michel Temer na condução dos destinos do governo. A moderação na fala, a suavidade no relacionamento e o rigor no comportamento colocam Temer como conselheiro discreto da Presidência. Por outro lado, o senador José Sarney afasta as dificuldades e abre caminho para a consolidação da paz na terra. Assim, influi na escolha dos dirigentes do Congresso Nacional e permite à presidente Dilma governar sem ser levada às cordas pela força dos companheiros, preocupados com o fim dos tempos.

O afastamento dos mais importantes políticos do PT da vida pública pela Justiça e pelas urnas resultou no surgimento de novos nomes com ficha limpa que poderão renovar os conceitos enraizados nos tempos de oposição e transformar o partido numa agremiação voltada para os interesses da nação.

O ano 13 é o décimo primeiro ano de governança do Partido dos Trabalhadores e, sem a influência de Lula, deixará a presidente Dilma livre para formar a sua equipe com nomes de reputação ilibada que não precisarão dar explicações estapafúrdias sobre malfeitos nunca justificados.

Como o mundo não acabou é possível que não acabe mais, e os políticos deverão olhar a vida pública como um caminho que nunca termina. E que é preciso se comportar.

 

Brasília, 08 de Janeiro de 2013.

Paulo Castelo Branco.

Publicado na revista Brasília em Dia – 11.1.2013 –  www.brasiliaemdia.com.br