Com a chegada das eleições municipais, milhares de brasileiros se apresentarão aos eleitores buscando representá-los. Muitos dos que desejam ingressar na vida pública o fazem com o intuito de mudar os rumos da política tão achincalhada nesses nossos tempos; outros, com o olho gordo nas verbas públicas que poderão desviar para os seus bolsos.

O exercício do mandato eletivo, por parte das novas gerações, é, talvez, o desejo mais distante em seus horizontes. Tudo em razão da descrença imposta pelos pilantras que atingiram postos de destaque e transformaram Brasília num tentáculo do crime organizado.

Nos municípios brasileiros, o mesmo está acontecendo, tanto nas grandes capitais como nas pequenas cidades que elegerão vereadores e prefeitos. Os curiosos que gostam de acompanhar a política e se aventuram a visitar algum dos municípios que nos cercam, encontram por lá, as mesmas mazelas incrustadas em âmbito nacional.

As famílias tradicionais que escolhiam entre seus membros alguns para entrar nas disputas eleitorais foram deixando de lado a política e incentivando seus filhos a buscarem atividades menos prejudiciais às suas vidas e ao bom conceito familiar.

Em muitos municípios, existem bons políticos das novas gerações o que demonstra que ainda existe esperança. Esses jovens são os que enfrentam as oligarquias e tentam modificar os comportamentos marginais que nos envergonham.

Não são só eles. Existem muitos mais, inclusive empresários, profissionais liberais, funcionários públicos, desportistas, artistas e operários. No entanto, o Brasil precisa não de alguns políticos com espírito público; precisamos de uma multidão de homens e mulheres que se dediquem à atividade pública não como um emprego, mas com uma atividade nobre.

Nos municípios, não é raro o aparecimento de candidatos que, eleitos, ficam ricos em um mês. A razão é que muitos dos candidatos recebem salário-mínimo e, da noite para o dia, passam a receber dez, vinte vezes o valor dos seus rendimentos. Além disso, passam a gozar de privilégios nunca imaginados. Também da noite para o dia, nomeiam em seus gabinetes, parentes, amigos, amantes ou agregados; tudo à custa do povo. E sem precisar roubar, fraudar ou entregar obras públicas sem licitação.

No decorrer do mandato, muitos se desviam dos preceitos legais, optam pela política suja e, de vez em quando, saem de suas residências ou gabinetes algemados. Soltos, falam em injustiças e que logo demonstrarão suas inocências. Não o fazem. Ao contrário, escondem-se pelos cantos, aguardando a prescrição dos seus crimes ou a insuficiência de provas para continuarem no exercício dos seus mandatos.

Além desses conhecidos exemplos, ainda convivemos com os mais perniciosos que são as vestais que pululam nas tribunas, penduradas na forca, vociferando palavras desconexas. Esses não mentem mais, não roubam mais, não fraudam mais; simplesmente não existem. São ectoplasmas, vagando pelos plenários vazios.

Mas, felizmente, a polícia, a justiça e a imprensa livre, expurgam da vida pública aqueles que são flagrados praticando crimes, mascarados como se fossem pessoas de bem. Alguns deles poderão sair livres das punições mais graves e se autodenominarão perseguidos pelas forças políticas de onde vieram. Esses são expurgados por seus próprios companheiros que não querem ser envolvidos nas trapaças e, rapidamente, os condenam politicamente.

A sorte desses elementos, para melhor qualificá-los, é a descoberta da mídia eletrônica que permite que falem aos que estejam ligados na rede mundial de computadores. Nos blogs, eles podem escrever, gravar vídeos e debater suas idéias. É bom, pois demonstra que estamos numa democracia quase igual à paraguaia onde, um presidente é deposto democraticamente numa fração de segundos, e pode sair às ruas, dar entrevistas, se candidatar e ainda receber do estado a proteção que lhe é garantida constitucionalmente; só não pode rezar missas, nem dar extrema-unção; aliás, como poderiam receber — extrema-unção — muitos dos candidatos nas próximas eleições.

Brasília, 10 de julho de 2012.

Paulo Castelo Branco.

Publicado na revista Brasília em Dia – 13.07.2012. www.brasiliaemdia.com.br