Houve um tremendo bate-boca a respeito do PIB brasileiro; se ele era grande ou pequeno. O fato é que o assunto acabou nas mesas dos bares, onde cada um possuía opinião formada sobre a consistência do PIB e a sua formação.

Genésio, profissional respeitado no mercado financeiro, foi instado pelos amigos a dar explicações objetivas sobre o produto interno bruto.

Ele começou a falar de forma meio empolada no que foi imediatamente vaiado. Ameaçou se levantar e sair do bar. Foi contido pela turma do deixa-disso. Aceitou retornar à questão desde que seu chope fosse trocado por um com colarinho. Em seguida explicou: O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. Isso inclui do pãozinho até o apartamento de luxo. O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. A matéria-prima usada na fabricação não é levada em conta. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na contabilidade.

O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.

O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros altos atrapalham o crescimento do país.

Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.

Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.

As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.

Os componentes da mesa e alguns curiosos ouviram a aula em silêncio. Ao final, quase todos concordaram que Genésio havia conseguido esclarecer as dúvidas e o aplaudiram; menos Aderbal, que foi excluído da mesa por suas posições sempre de contestação e crítica. Leitor contumaz e observador implacável, sempre apresentava uma divergência. De pé, disse: – Lá vem você com esse conhecimento de copia e cola. Esta sua fala é plágio de um texto do UOL publicado em 2008. Não contesto as afirmações, pois são corretas; no entanto, você deveria indicar a origem do texto.

Genésio, sem graça, reconheceu e explicou que havia adotado a explicação por considerá-la adequada para o público desconhecedor dos meandros da economia mundial. O grupo nem ligou para a intervenção de Aderbal, e pediu nova rodada de chope.

Nesse momento, um sujeito que ninguém conhecia, pediu a palavra e disse: – A sua explicação é muito boa, no entanto acho que o assunto para este local não é o melhor. Hoje tomei conhecimento de duas histórias sobre o PIB que merecem ser contadas. A primeira é de uma moça que se casou virgem com um sujeito que dizia também o ser por convicção religiosa. Na lua-de-mel, o casal tomou um tremendo porre e dormiu sem consumar o casamento. Depois, sempre por algum motivo, nada do marido possuir sua companheira. A mulher foi ficando irritada com a inapetência sexual do sujeito e resolveu exigir explicações. O homem, constrangido, tirou a roupa e mostrou-lhe um pibinho de oito centímetros, digno de países de terceiro mundo.

No dia seguinte, a mulher buscou a justiça para anular o casamento. Na audiência, o marido alegou que, apesar de possuir um mini-pênis, amava a esposa e que poderiam formar uma família feliz. Na decisão, o magistrado acatou as alegações do marido, decidindo que o tamanho do PIB não é motivo para anulação de casamento.

O outro caso é de um americano detido numa inspeção de aeroporto como suspeito de levar, entre as pernas, uma arma de grosso calibre. O homem explicou aos policiais que se tratava do seu pênis. O policial não acreditou e, irritado, deu-lhe um baculejo. O homem gritou de dor e, afinal, o policial, constrangido, reconheceu que não existia arma alguma. O que o sujeito possuía era um Pibão de 23 centímetros, inscrito como recorde mundial. O americano foi liberado e passou a usar bermudas de ciclista para não haver mais dúvidas sobre a arma natural que carrega em seu corpo. Como podem constatar, o tamanho do PIB não importa muito, o que interessa para a estabilidade de um país é um PIB médio e duradouro.

A mesa, às gargalhadas, renovou o chope em homenagem ao melhor expositor da tarde.

Brasília, 23 de julho de 2012.
Paulo Castelo Branco.
Publicado na revista Brasília em Dia – 27.06.2012 . www.brasiliaemdia.com.br